Mostrando postagens com marcador kind of blue. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador kind of blue. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de março de 2008

Kind of blue: Freddie Freeloader


Voltamos a falar do Kind of Blue e do gênio de Miles Davis. Certamente a faixa menos melancólica e reflexiva do álbum, Freddie Freeloader é uma homenagem a um “malandro” nova-iorquino amigo dos músicos. Apoiados numa estrutura de blues com abordagem jazzística, os músicos usam como sonoridade principal a escala lídia b7 (ou mixolídia #4), quarto modo da escala menor melódica. (Clique na figura para visualizar.)



O tema exposto pelos sopros é um ótimo exemplo de economia de notas e boa condução de vozes, princípios essências para pensar harmonia no bandolim. Adaptando o tema para nosso instrumento, tiramos lições interessantes. (Clique na figura para visualizar.)



Nos oito primeiros compassos é fácil perceber como executar de forma inteligente acordes de seis notas usando apenas três cordas do bandolim. Com a mudança da posição dentro de um mesmo compasso é possível tocar todas as notas do acorde com um movimento confortável e condução elegante.

Nos quatro compassos finais, Miles opta por usar apenas duas notas para caracterizar o acorde. Obviamente ele escolhe a terça e a sétima (ver post Terças e sétimas), aproveitando os movimentos cromáticos entre as notas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Kind of blue: So what


Gravado em 1959, Kind of Blue é um dos grandes marcos da história do jazz. Mais do que por suas vendagens astronômicas a cada reedição ou por seu sucesso entre ouvintes não acostumados ao jazz moderno, o álbum é reverenciado por ser o início do chamado jazz modal. Resultado da colaboração do trompetista Miles Davis com outros grandes músicos como Bill Evans e John Coltrane, o trabalho trazia uma série de inovações em relação a escalas, voicing de acordes e na concepção harmônica.

No jazz modal as peças (e os improvisos) são baseadas em escalas, e não numa progressão de acordes. So what, música que abre o disco, é construída sobre o segundo modo da escala maior, o dórico. Ou seja, começando a escala de dó maior pela nota ré você tem uma nova relação de intervalos e uma escala com sonoridade distinta. Os dezesseis primeiros compassos estão em Ré dórico, os oito seguintes em Mib dórico e novamente oito em Ré dórico. (Clique na figura pra visualizar.)



Sobrepondo intervalos de quartas (e não de terças, com usual), o pianista Bill Evans chegou a acordes tão marcantes que ficaram conhecidos como “so what chords”. Em cima da tônica são colocadas três quartas e uma terça, formando um acorde menor com sétima menor e décima primeira.

No exemplo abaixo temos o piano e o baixo nos primeiros compassos da exposição do tema. (Clique na figura pra visualizar.)



No bandolim é necessário fazer uma única e óbvia adaptação do acorde so what: tirar uma nota para caber nas nossas quatro cordas. Tirando a quinta, mantemos as notas essenciais do acorde e os intervalos de quarta, que são a característica mais importante. (Clique na figura pra visualizar.)


Em breve voltamos a falar deste álbum.

Mais sobre Kind of Blue:
- Miles Davis Kind of Blue, editora Hal Leonard. Transcrição dos temas e solos de todos instrumentos.
- The Magic of Miles Davis, Jamey Aebersold. Livro com partituras e cd com as bases de músicas de Miles Davis, incluindo quatro das cinco faixas do Kind of Blue.
- Kind of blue: a história da obra-prima de Miles Davis, de Ashley Kahn.